quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Divagação

Começo por divagar. A razão não é aparente, apenas sei que me apetece destilar sobre a folha de papel lisa toda a inspiração recalcada. Concordância dos deuses, não sei se a tenho, apenas limito-me a verter sobre as alíneas da canseira todo o verso atravessado na minha mente inquieta. Submeto-me à reacção dos golpes aflitos daquele mornar de conceitos e despi-os um a um com uma caneta de purpurina por acalentar. Sei-os loucos no seu amainar de significâncias, mas gosto da sua maneira subtil de contemplar as formas invisíveis daquele jogo da escrita. Sei-os desejosos de mostrarem o seu requinte, mas faço-os esperar na ansiedade de uma lógica quase imperceptível.

1 comentário:

C Jorge F disse...

Aos poetas não vence o tédio - investidos que estão do peso das palavras -, e se, por vezes, tombam vergados à carga e ao prenúncio da perda, logo renascem, que em não estando ela consumada, nunca é perdido o que se quer.