terça-feira, 11 de maio de 2010

Acendalha do fogo de amar

Porque na razão
De um verso desigual
Posso evocar o coração
Daquele gesto irreal.

Deixo-me elevar
Pela primazia do querer
Acendelha do fogo de amar
Que me vem aquecer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Renascer...

Aqui onde a impiedosa força natural
Percorreu loucamente as ruas
Ergue-se a vontade colossal
De vestir todas as vidas deixadas nuas...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Flecha fria

O rigor que acaba no vencimento de um querer
A loucura finda naquela palavra dita
Na penumbra do entardecer
Cruza o mar que se agita
A grandeza do envelhecer.

Eis a retirada parcial dos sóbrios senhores da vontade
A aura perdida daquele espanto
Que se atira às ondas da saudade
Como áureo pendor de recanto
Flecha fria sem bondade...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Costura poética

Suspiro da noite tardia
Raio de sol matinal
Que acolhe minha ousadia.

Frio querer de paixão
Louco feitio acolhedor
Que me transforma a sensação.

A ti devo minha rebeldia
Coração de fio natural
Costurado de fantasia.

A ti submeto a emoção
Com as linhas do rigor
Deste poema feito canção.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Discípulo de alguém

"Queria apelos gritados, apelos que penetrassem a humanidade num resquício de pensamento, apelos que formassem um universo de percepção requintada, onde o significado das palavras não se confinasse à articulação de meras sílabas."
Natália Bonito

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Liberdade dominada II

Aprisiona-me a dimensão estéril deste segredo,
Faz-me sentir oca no pensamento
Irreal no desenlace deste enredo
Contida na convicção do sentimento.

Não nego a vidência de um astro menor
Nem tão pouco me sujeito à perpetuação
De um regime sedutor,
Mas que querem de mim? Reacção?

Perguntou-me se estarei ciente
Desta hipnose criteriosa
Que embala a voz dolente
Com música silenciosa.

Perguntou-me se a firmação
Desta névoa por escrever
Não é somente evasão
Profundo desejo de viver.

Liberdade dominada I

"Ser inteiramente livre e, ao mesmo tempo, inteiramente dominado pela lei, é o eterno paradoxo da vida humana, de que nos apercebemos a cada momento."

Oscar Wilde