terça-feira, 12 de abril de 2011

Lançamento do livro QU4TRO DIMENSÕES



Caro(a) amigo (a),

Convido-o(a) para o lançamento do meu recente livro de poesia intitulado 'Quatro Dimensões', no dia 28 de Abril, pelas 18h30m, no Museu Casa da Luz. A apresentação do trabalho estará a cargo da escritora Cíntia Palmeira.

Traga a família e amigos e deixe-se seduzir pela simbiótica poética das dimensões poética, espiritual, estética e animal. Deixe-se elevar pela molécula de um átomo feito verso e iluminar-se pelo farol incandescente dos mundanos viajantes que se fazem ao mar em atropelos regados de poder estrófico.


Prometo um final de tarde muito poético!

Peço que reencaminhe esta mensagem a todos os que gostam de ler e ouvir poesia.



Cumprimentos poéticos,



Natália Bonito

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Quadras prometidas

Hoje fintei o desejo
Do conhecimento
Com alma, ensejo
E atrevimento.

Hoje amei o sabor do teu beijo
A súplica emanada do discernimento
Da tua mente que invejo
Momento após momento.

Hoje li os versos do teu lampejo
Desgarrados, sem alento
E com a frieza do sobejo
Prometi ser intento.

Prometi aos céus um gracejo
Firmeza do lamento
Que pinta o azulejo
Deste grande monumento.

Prometi não ser poejo
Desta história do fundamento
Que começou no festejo
De rimar ao sabor do vento.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Conflituando

- Hoje, se me repreendes, é porque não sabes a verdadeira forma da convicção daquele apelo gritado. Sou eu que sorvo as apáticas realidades daqueles mundos ignóbeis e tão desfeitos de pudor e não me dou por cansada.
Mas tal frontalidade de pensamento em alta voz não demove aquele guerreiro trespassado pela ilusão de ser o verdadeiro domador de expressões assertivas. É ele que se diz contador de estrelas virtuosas por entre as noites calmas e despidas de luz, por isso pode dar-se ao luxo de enveredar pela cómica desfeita de ignorar uma voz amiga em transe filosófico.
- Deixa-te de poéticas afirmações, porque não me contento com a passividade. Vou sem medo à luta trilhar caminhos vitoriosos. Não tenho medo de nada e nada de mim tem medo, nem por um segundo. Sou matéria fiel à prestação de supressões e tu não me segues cegamente, porque não crês na minha capacidade de vencer. Não acreditas que posso fintar as amarras da sina escrita?
- Sinceramente, o que creio vai muito para além desse pensar narcisista e hipócrita de alguém que transformou seu ego em supremacia absoluta…

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Amarras da libertação

Já me perdi na dimensão
De um longo caminho deserto
E deixei-me ficar na sensação
Daquilo que achei incerto
Nas amarras da libertação...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Inspiração...

Não me deixes na ruína deste riso
Não me deixes na largura da rua terminada
Não me deixes descrente fiel de juízo
Não me deixes a alma desabitada.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Divagação

Começo por divagar. A razão não é aparente, apenas sei que me apetece destilar sobre a folha de papel lisa toda a inspiração recalcada. Concordância dos deuses, não sei se a tenho, apenas limito-me a verter sobre as alíneas da canseira todo o verso atravessado na minha mente inquieta. Submeto-me à reacção dos golpes aflitos daquele mornar de conceitos e despi-os um a um com uma caneta de purpurina por acalentar. Sei-os loucos no seu amainar de significâncias, mas gosto da sua maneira subtil de contemplar as formas invisíveis daquele jogo da escrita. Sei-os desejosos de mostrarem o seu requinte, mas faço-os esperar na ansiedade de uma lógica quase imperceptível.