Hoje, escrevo desde o arvoredo penetrante da selva selvagem daquela distância insular. Sufoca-me a lamúria de um parecer pouco coeso. Oiço gritos abafados, ecos desvanecidos de uma irrealidade ocular. Somente a gíria corrida desta escrita me evoca em soluços sussurrantes. Creio no critério de uma espiga por dourar, creio no lenço seco que ampara as lágrimas correntes de um rosto sofredor, creio na infinita glória de um saber periférico, creio em tudo o que possa subjugar a inglória sorte dos crentes. Porque sou assim mesmo: crente das fantasias, por muito remotas que possam parecer aos olhos incrédulos... E escrevo... Deixo-me levar pela imensidão das palavras articuladas. Porque, elas são mais que simples amarras de conexão. Elas são o futuro, a vitória conquistada ao coração, no calor ardente da alma!
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Ofuscante realidade
Cria-se a inutilidade
De fragmentos rígidos
Freixos claros de obscuridade
Almas doentias de convencidos
Que tomam por certa a liberdade.
Cria-se o obstáculo perfeito
Na perfeição medíocre do desalinho:
Pobres coitados, tudo está feito!
Reacção ou problema, não alinho
O critério é não ter jeito.
E se digo basta de inutilidade
Respondem-me com olhares frígidos:
Aqui não há verdade
Apenas loucos fingidos
Que ofuscam a realidade.
De fragmentos rígidos
Freixos claros de obscuridade
Almas doentias de convencidos
Que tomam por certa a liberdade.
Cria-se o obstáculo perfeito
Na perfeição medíocre do desalinho:
Pobres coitados, tudo está feito!
Reacção ou problema, não alinho
O critério é não ter jeito.
E se digo basta de inutilidade
Respondem-me com olhares frígidos:
Aqui não há verdade
Apenas loucos fingidos
Que ofuscam a realidade.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Povo Superior
Aqui mora a conquista de um povo supremo. Aqui, onde os ventos se misturam com os vendavais das cordas amordaçadas e trilhadas de ciladas e ratoeiras. Aqui, onde a glória do inculto é uma mais valia social, um feito enaltecido sem aparente confirmação. Enfim, reclamam de tudo, mas no fim de nada servem as reclamações de um povo superior, deixado à sua vã sorte! Afinal, não passamos de mistérios endiabrados no meio da seara verde deste complexo sistema de contradições.
Longe vão os tempos de respeito e exaltação dos valores tidos como ideais. Longe vão os tempos das súplicas escarnecidas levadas ao extremo da impiedosa insistência. Agora só restam rescaldos de tempos idos, documentos ou não, daqueles que com coragem e ousadia souberam trilhar a senda da incompreensão para alcançar a tão almejada compreensão. Foram caminhos de suor e medo, caminhos impiedosos e tortuosos, caminhos que já não mais regressam…
E nós aqui, esperamos… Esperamos o milagre das horas idas, o fundamento das surpresas, a condição da impressibilidade… Esperamos um cântico moderno dos contemporâneos históricos que nas suas longas análises e ensaios promovem e cultivam a hiperactividade estanque da sociedade. Faltam filósofos! Faltam atrevidos! Faltam… Não sei… Apenas sei que falta, mas não consigo decifrar o quê! Vejo nas ruas a ausência de algo que não sei explicar. Nas caras do quotidiano sinto um cansaço, uma rotina demasiadamente rotineira…
Longe vão os tempos de respeito e exaltação dos valores tidos como ideais. Longe vão os tempos das súplicas escarnecidas levadas ao extremo da impiedosa insistência. Agora só restam rescaldos de tempos idos, documentos ou não, daqueles que com coragem e ousadia souberam trilhar a senda da incompreensão para alcançar a tão almejada compreensão. Foram caminhos de suor e medo, caminhos impiedosos e tortuosos, caminhos que já não mais regressam…
E nós aqui, esperamos… Esperamos o milagre das horas idas, o fundamento das surpresas, a condição da impressibilidade… Esperamos um cântico moderno dos contemporâneos históricos que nas suas longas análises e ensaios promovem e cultivam a hiperactividade estanque da sociedade. Faltam filósofos! Faltam atrevidos! Faltam… Não sei… Apenas sei que falta, mas não consigo decifrar o quê! Vejo nas ruas a ausência de algo que não sei explicar. Nas caras do quotidiano sinto um cansaço, uma rotina demasiadamente rotineira…
Socalcos ilusórios
Procuro uma vaga de vento na estranha vivência deste deserto. Só encontro areia, minúsculas partículas esplendorosas que anseiam um solo fixo, mas que nunca o conseguem. Talvez por olhar esse grão de areia me reveja como nunca nele. Afinal mais não sou que um pequenino grão de areia no meio desta desértica humanidade. E quem se lembra de mim? TU! Apenas tu, pobre desconhecido ainda por encontrar, que habitas no espelho que olho todas as manhãs, ainda meio ensonada e atordoada pela escuridão da noite vadia. Apenas TU! Aquela noite de estrelas perdidas mergulhadas no céu da fiel perdição dos olhares secretos… Que noite fantástica, fogosamente pintada no seu jogo de fogo cruzado e apaixonante.
Em mim há somente uma certeza, a submissão de um simples e cordial afrontamento de sabores e condições preponderantes. Sigo o sabor da brisa, o pesar das nuvens celestes e findas no seu singular entrelaçar de moléculas. Sigo a rigidez da sensação que trespassa a mudez da minha voz sorrindo das cenas de amor quente e saudável de cada dia. Olho o céu, e volto a olhar, e encontro um valor engrandecido na fusão de estrelas que se confundem com corpos desertos de vestimenta. Invoco uma condição, um pretérito fingimento na louca esperança de misturar a nossa saliva de essências e sabores. Mas é tão somente um pensamento fingido, uma estranha rouquidão da alma que se apodera da minha mente com socalcos ilusórios de pretensa irreal.
Em mim há somente uma certeza, a submissão de um simples e cordial afrontamento de sabores e condições preponderantes. Sigo o sabor da brisa, o pesar das nuvens celestes e findas no seu singular entrelaçar de moléculas. Sigo a rigidez da sensação que trespassa a mudez da minha voz sorrindo das cenas de amor quente e saudável de cada dia. Olho o céu, e volto a olhar, e encontro um valor engrandecido na fusão de estrelas que se confundem com corpos desertos de vestimenta. Invoco uma condição, um pretérito fingimento na louca esperança de misturar a nossa saliva de essências e sabores. Mas é tão somente um pensamento fingido, uma estranha rouquidão da alma que se apodera da minha mente com socalcos ilusórios de pretensa irreal.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Lançamento de livros - António Barroso Cruz

Caro Visitante,
Uma sugestão para um 4 de Junho diferente: assistir ao lançamento dos dois mais recentes livros do escritor António Barroso Cruz, um de contos e outro de haiku, às 18h30m, na Casa da Luz.
O livro de contos aborda pecados eclesiásticos, demências humanas, sensualidades literárias, histórias passadas no futuro e coisas mais corriqueiras e será apresentado pela Prof. Luisa Paolinelli, especialista em linguística.
O livro haiku, que é uma novidade na Madeira, será apresentado pelo maior Mestre de Haiku em Portugal, e um dos mais reconhecidos em todo o mundo, Casimiro de Brito (traduzido em mais de vinte idiomas).
Quero aqui endereçar os meus parabéns ao autor António Barroso Cruz e desejar-lhe o maior êxito com os seus novos trabalhos. Certamente, marcarão a diferença, como aliás todos os seus trabalhos.
Cumprimentos literários,
Natália Bonito
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Compassos ritmados

Chegaste na aura dos espantos,
Com castiçais prendados
Ocupaste as esquinas dos recantos
E fundiste a sombra dos renegados
Na pedra esculpida, sobre os prantos
Daqueles que se dizem amados.
Saudaste a nudez passiva
De um beijo eloquente
Como se a firmação evasiva
Fosse uma loucura corrente
Neve fria e corrosiva
Que se apodera da semente.
Quiseste o poder da dimensão
Sobre os infernos mal parados
Daquela cama de sedução
Que foi amparo dos corpos suados
Em dias de sublimação
E de compassos ritmados.
Com castiçais prendados
Ocupaste as esquinas dos recantos
E fundiste a sombra dos renegados
Na pedra esculpida, sobre os prantos
Daqueles que se dizem amados.
Saudaste a nudez passiva
De um beijo eloquente
Como se a firmação evasiva
Fosse uma loucura corrente
Neve fria e corrosiva
Que se apodera da semente.
Quiseste o poder da dimensão
Sobre os infernos mal parados
Daquela cama de sedução
Que foi amparo dos corpos suados
Em dias de sublimação
E de compassos ritmados.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Noite na noite

"Como eu desejaria ser parte da noite,
Parte sem contornos da noite, um lugar qualquer no espaço
Não propriamente um lugar, por não ter posição nem contornos,
Mas noite na noite, uma parte dela, pertencendo-lhe por todos os lados
E unido e afastado companheiro da minha ausência de existir..."
Parte sem contornos da noite, um lugar qualquer no espaço
Não propriamente um lugar, por não ter posição nem contornos,
Mas noite na noite, uma parte dela, pertencendo-lhe por todos os lados
E unido e afastado companheiro da minha ausência de existir..."
Álvaro Campos
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